Porque a agenda do Ministro da Defesa era tão imprecisa e vaga naquela tarde-noite francesa?
Foto: Arquivo Fontes: Ministério da Defesa – Agenda, Antonio Ribeiro - Paris
Onde jantou o Ministro Jobim no dia 16 de julho de 2009?
Sempre foi exibido e imagina-se um poço de sabedoria, isso, às vezes, atrapalha, como no recente acidente do avião da Air France quando foi chamado de “Bavard”, falastrão pela imprensa francesa, por ter assumido a responsabilidade de falar sobre o acidente e ter dito uma porção de sandices.
Nessa última semana, de 11 a 19 de julho, o Ministro Jobim passou na França. Cumprindo uma agenda leve mais muito bem tratado, não pelo seu desempenho como porta-voz do acidente aéreo, mas porque ele representa um negócio de bilhões, que nesse momento de crise, cresce de ainda mais em importância, para o governo Frances e a indústria de armas do país.
Estranhamente a viagem de Jobim à Paris foi feita na maior discrição. Mesmo quando abordado se fez mudo e reticente, fugindo as suas características.
Chegou a Paris no sábado e ficou até a segunda sem agenda oficial. Um fim de semana aborrecido em Paris, da mesma maneira que seu chefe Lula, havia feito na semana passada. Na segunda-feira almoçou com M. Hervé Morin – Ministro da Defesa da França (Hotel de Brienne) e uns compromissos com integrantes do Ministério de Sarkozy.
No dia seguinte, da tribuna de honra do Governo Frances, em meio a autoridades de todo o mundo, assistiu o desfile de 14 de julho, dia nacional da França, quando se comemora a Tomada da Bastilha.
No dia 15 Jobim visitou a fábrica dos aviões Rafale e deu um passeio no caça supersônico, em velocidade moderada.
Depois disso, os outros lugares visitados pelo ministro, nos outros dias da semana, constante de sua agenda oficial, foi um tour a vinhedos e recantos turísticos refinados.
Esteve em Cannes-La-Bocca, Toulouse, Mont-de-Marsan e Bordeaux, entre outros.
Um item da agenda do Ministro, porém, chamou a atenção, falava de uma ida a Saint Emilion, como se Jobim, tivesse a missão de examinar os refinados vinhedos da região.
O blog do Colunista, da Revista Veja, Antônio Ribeiro, sediado em Paris estranhou e descobriu que o verdadeiro motivo da ida de Jobim a Saint Emilion era um jantar no exuberante Chateau Dassault. O Ministro achou que não ficaria bem que o distinto público soubesse que ele era comensal dos Dassault.
Estava certo o Ministro, não é mesmo recomendável, que um funcionário público, que negocia com empresas privadas, tenha relações tão aconchegantes com o fornecedor, em condições tão especiais, fora do ambiente e do clima de negociação oficial. Foto: Divulgação
O avião de caça frances, que será comprado pela Força Aérea Brasileira A família Dassault, além de outros negócios, como vinhos finos, é também fabricante do caça Rafale, o avião cuja fabrica o ministro visitou e que ganhou a concorrência para renovar a esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB).
A agenda disfarçava um momento íntimo, entre o ministro gestor brasileiro e o industrial francês.
Trata-se de um negócio de R$ 4 bilhões, pela compra de 36 aviões. Para se ter uma idéia da importância da transação, o governo brasileiro está adquirindo, através do Ministro, toda a capacidade de produção da indústria aérea militar francesa por um ano e três meses.
A compra tem muita importância também, pois será a primeira vez que um cliente externo adquire as aeronaves, até então vendida apenas para a Força Aérea Francesa.
Por que desconfiaríamos de um simples jantar? Que mal há nisso?
Em outras nações, descoberto o evento, o Ministro estaria dando muitas explicações e teria ameaçada a sua permanência no cargo.
Mas que tudo isso, deve-se levar em conta que o típico peemedebista Nelson Jobim, não merece muita confiança.
Sua trajetória política revela alguém capaz de servir a distintos senhores, desde FHC a Lula. Não foi nada ético nem elegante, sua saída do STF, para um ministério no poder executivo, tendo antes pleiteado a vaga de vice-presidente no lugar de José Alencar, na reeleição de Lula.
Quem garante que gente assim, não pode de repente deixar de defender os interesses do Brasil e favorecer os fabricantes franceses?
O Ministro gostou tanto de sua estada em Paris, que talvez não tenha nem voltado ao Brasil: sua agenda dessa segunda-feira indica que ele estará de férias até o fim do mês.
"Bon repos ministre!”
Um comentário:
EU NAO VI NADA DEMAIS.- PARA QUEM CONHECE ASSUNTOS DE DEFESA...ESTUDEI NO EXTERIOR. E NEM EXERÇO...
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